Neste artigo19 tópicos
- Como ler a classe e o nível de evidência desta diretriz?
- O que muda no TEP com a diretriz 2026?
- Como a diretriz 2026 classifica o TEP agudo em categorias A a E?
- Quais escores e exames definem a gravidade?
- Como investigar a suspeita de TEP?
- Qual exame de imagem confirma o TEP?
- Quais parâmetros de VD a errata de 2026 corrigiu?
- Quem pode ir para casa e quem deve ser internado?
- Qual anticoagulante usar no TEP agudo?
- Como tratar o choque e a hipoxemia no TEP?
- Quando acionar trombólise, cateter, cirurgia ou ECMO?
- Quando indicar filtro de veia cava?
- Por quanto tempo anticoagular depois do TEP?
- Como deve ser o seguimento após o TEP?
- Erros comuns na prova e no plantão
- Perguntas frequentes
- Pontos-chave
- Leia também
- Referências
Guia rápido do artigo
A diretriz AHA/ACC 2026 de TEP agudo substitui maciço, submaciço e baixo risco por cinco categorias clínicas, de A a E. A categoria A recebe alta da emergência, a B tem alta precoce e C a E são internadas. A diretriz prefere HBPM à heparina não fracionada e DOAC à varfarina, e reserva terapias avançadas para D e E.
A diretriz foi publicada na Circulation em março de 2026 por dez sociedades americanas (AHA, ACC, ACCP, ACEP, CHEST, SCAI, SHM, SIR, SVM e SVN). É a primeira diretriz dessas entidades dedicada só ao TEP agudo e vale para adultos (18 anos ou mais). A errata de julho de 2026 já está incorporada. Procedimentos aparecem como "quando acionar e encaminhar", que é o que o clínico decide no plantão e o que a prova do TECM cobra.
Como ler a classe e o nível de evidência desta diretriz?
A diretriz usa o sistema AHA/ACC. A classe de recomendação diz a força: 1 (recomendado), 2a (razoável), 2b (pode ser considerado), 3: sem benefício (não fazer, porque não ajuda) e 3: dano (não fazer, porque prejudica). O nível de evidência diz a qualidade dos dados: A (ensaios randomizados de alta qualidade), B-R (randomizado), B-NR (não randomizado), C-LD (dados limitados) e C-EO (opinião de especialistas). Neste guia, a notação "(1, A)" significa classe 1, nível A.
Na prática: classe e nível são independentes. Encaminhar o paciente trombolisado para UTI é classe 1 com nível C-EO, ou seja, forte por consenso. Na prova, "3: dano" pesa tanto quanto "classe 1": é o que não fazer.
O que muda no TEP com a diretriz 2026?
| Tema | O que a diretriz 2026 diz |
|---|---|
| Classificação | Categorias clínicas A a E, com subcategorias e modificador respiratório R, no lugar de maciço, submaciço e baixo risco |
| Destino | A: alta da emergência. B: alta precoce. C, D e E: internação |
| Investigação | D-dímero ajustado à idade (2a, B-R) e escore YEARS (2a, B-R) para excluir TEP em probabilidade baixa ou intermediária |
| Imagem | Angio-TC de tórax preferida à cintilografia V/Q (1, B-R). Ecocardiograma não confirma nem exclui TEP |
| Equipe | Time de resposta ao TEP (PERT) para as categorias C a E (1, B-NR) |
| Anticoagulante | HBPM preferida à HNF nas categorias C1 a E1 (1, B-R). DOAC preferido ao AVK (1, B-R) |
| Terapias avançadas | Razoáveis em E1, podem ser consideradas em D1 e D2, e contraindicadas ou sem benefício nas categorias de menor gravidade |
| Duração | TEP sem fator de risco reversível maior: estender a anticoagulação (1, A) |
| Seguimento | Perguntar sobre sintomas em toda consulta por pelo menos 1 ano, para rastrear doença pulmonar tromboembólica crônica |
Na prática: o raciocínio mudou de "o paciente está hipotenso?" para "em que categoria ele está agora?". A categoria define o local de cuidado, o anticoagulante e se vale discutir reperfusão.
Como a diretriz 2026 classifica o TEP agudo em categorias A a E?
A classificação anterior tinha três degraus (AHA 2011: baixo risco, submaciço e maciço, este com PAS < 90 mmHg por mais de 15 minutos ou necessidade de inotrópico) ou quatro estratos (ESC 2019). A diretriz 2026 organiza a gravidade em cinco categorias clínicas. O paciente é classificado pelo indicador mais grave que apresenta e pode mudar de categoria com a evolução.
| Categoria | Definição | Subcategorias |
|---|---|---|
| A | Subclínico: achado incidental, sem sintomas | — |
| B | Sintomático com escore de gravidade baixo (PESI ≤ 85 ou sPESI 0) | B1: subsegmentar. B2: segmentar ou mais proximal |
| C | Sintomático com escore de gravidade elevado (PESI > 85 ou sPESI ≥ 1) | C1: VD e biomarcadores normais. C2: VD anormal ou ≥ 1 biomarcador alterado. C3: VD anormal e ≥ 1 biomarcador alterado |
| D | Falência cardiopulmonar incipiente | D1: hipotensão transitória. D2: choque normotensivo |
| E | Falência cardiopulmonar | E1: hipotensão persistente ou recorrente com choque cardiogênico. E2: choque refratário ou parada cardíaca |
Alguns detalhes da classificação costumam cair em prova:
- D1, hipotensão transitória: PAS < 90 mmHg ou queda > 40 mmHg com duração inferior a 15 minutos, ou que responde a volume.
- D2, choque normotensivo: pressão preservada com sinal de hipoperfusão, como lactato > 2 mmol/L, oligúria (< 0,5 mL/kg/h), lesão renal aguda, alteração do estado mental ou índice cardíaco baixo.
- E2: choque refratário ou parada cardíaca. A diretriz descreve E1 como compatível com o estágio C da SCAI.
- Modificador R: acrescentado quando há comprometimento respiratório proeminente. Na categoria C, saturação < 90%, frequência respiratória ≥ 30 ou necessidade de oxigênio. Na D, mais de 6 L/min de cateter nasal ou máscara não reinalante. Na E, insuficiência respiratória hipoxêmica ou ventilatória. Exemplos de notação: C3R, D2R.
Na prática: pressão normal não afasta gravidade. Paciente normotenso com lactato de 3 mmol/L já é D2, e não C. A diferença entre C2 e C3 está no conectivo: "VD ou biomarcador" é C2; "VD e biomarcador" é C3.
A primeira parte desta revisão, sobre as categorias A a E, também está resumida em carrossel no Instagram @cmxperts, na série Guidelines 2026.
Quais escores e exames definem a gravidade?
Nas categorias A e B, a diretriz recomenda usar Hestia, PESI ou sPESI para identificar o paciente de baixo risco (1, B-R). Nas categorias C e D, um escore específico de TEP é razoável (2a, B-NR). O NEWS ou NEWS2 pode ser considerado (2b, B-NR).
| Ferramenta | Indicação | Classe |
|---|---|---|
| Hestia, PESI ou sPESI | Categorias A e B, para identificar baixo risco | 1, B-R |
| Troponina ou peptídeo natriurético (≥ 1 biomarcador) | Categoria C | 1, B-NR |
| Lactato | Categorias C a E | 1, B-NR |
| Avaliação de VD por imagem | Categorias C e D | 1, A |
| Ecocardiograma em vez de TC para avaliar o VD | Categorias C e D | 2a, B-NR |
| Avaliação de choque normotensivo | Para identificar D2 | 2a, B-NR |
| Quantificar a carga de trombo | Categorias A a C | 3: sem benefício, B-NR |
A diretriz destaca que as primeiras 24 a 72 horas são o período crítico para a deterioração.
Como investigar a suspeita de TEP?
Tudo começa pela probabilidade pré-teste, estimada por anamnese e exame físico (1, A). Dispneia e dor pleurítica são os sintomas mais comuns. Hemoptise, síncope e choque são menos frequentes. Menos de 10% das suspeitas se confirmam, e por isso a diretriz insiste em não pedir imagem para todos. A estratégia de exclusão aceita uma taxa de falha de até 2% e se aplica a quem tem probabilidade < 50% e não está anticoagulado.
| Probabilidade clínica | Conduta pela diretriz |
|---|---|
| < 15% | Regra PERC: se os 8 critérios forem negativos, não há necessidade de investigação adicional |
| 15% a 50% | D-dímero ajustado à idade ou escore YEARS (2a, B-R) |
| > 50% | Imagem direto, sem D-dímero (1, A) |
Regra PERC (todos precisam estar presentes para dispensar exames): idade < 50 anos, FC < 100 bpm, SatO₂ ≥ 95%, sem hemoptise, sem uso de estrogênio, sem TVP ou TEP prévios, sem edema unilateral de membro inferior e sem cirurgia ou trauma com internação nas últimas 4 semanas.
D-dímero ajustado à idade (2a, B-R): em quem tem mais de 50 anos, o corte passa a ser idade × 10 μg/L (FEU).
Escore YEARS (2a, B-R): três critérios (sinais clínicos de TVP, hemoptise e TEP como diagnóstico mais provável). Sem nenhum critério, o corte de D-dímero é 1.000 μg/L. Com um ou mais, o corte é 500 μg/L. Na gestante, o YEARS adaptado à gestação pode ser considerado (2b, B-NR).
| Escore de Wells | Pontos |
|---|---|
| Sinais clínicos de TVP | 3 |
| TEP mais provável que diagnóstico alternativo | 3 |
| FC > 100 bpm | 1,5 |
| Imobilização ≥ 3 dias ou cirurgia nas últimas 4 semanas | 1,5 |
| TVP ou TEP prévios | 1,5 |
| Hemoptise | 1 |
| Câncer | 1 |
No Wells clássico, a probabilidade é baixa abaixo de 2 pontos, moderada de 2 a 6 e alta acima de 6. No Wells modificado, TEP "provável" é acima de 4 pontos e "improvável" é 4 ou menos.
Na prática: os estudos de D-dímero excluíram pacientes com anticoagulação terapêutica nas 24 horas anteriores. Se o paciente já recebeu anticoagulante, o D-dímero normal perde valor para excluir TEP.
Qual exame de imagem confirma o TEP?
A imagem é indicada quando a probabilidade é > 50% ou quando o D-dímero vem elevado (1, A). Uma angio-TC positiva ou uma cintilografia V/Q de alta probabilidade bastam para o diagnóstico (1, A).
| Situação | Recomendação | Classe |
|---|---|---|
| Escolha do exame | Angio-TC de tórax preferida à cintilografia V/Q | 1, B-R |
| Cintilografia | SPECT V/Q preferido ao planar | 2a, B-R |
| Sem acesso à angio-TC | V/Q preferida à angiorressonância | 2a, B-R |
| Gestante sintomática, YEARS sugestivo e radiografia normal | Angio-TC de baixa dose preferida à cintilografia de perfusão de baixa dose | 2a, B-NR |
| Angio-TC com TEP | Relatar a razão VD/VE | 1, B-R |
| Ecocardiograma | Relatar os parâmetros do VD | 1, B-NR |
| Ecocardiograma para confirmar ou excluir TEP | Não recomendado | 3: sem benefício, B-NR |
| Doppler venoso após angio-TC negativa ou SPECT V/Q normal | Não útil | 3: sem benefício, B-NR |
| Venografia por TC | Não usar de rotina | 3: sem benefício, B-R |
| Doppler venoso com TEP confirmado | Pode ser razoável se sinais de TVP ou se mudar conduta | 2b, B-NR |
O ecocardiograma tem especificidade global baixa para TEP (64%, nos dados citados). Na angio-TC, a razão VD/VE ≥ 1,0 teve sensibilidade de 85% e especificidade de 72%; a disfunção do VD na angio-TC prediz morte hospitalar, mortalidade em 30 dias e deterioração clínica. Na gestação, o tema importa: o TEP responde por até 11% das mortes relacionadas à gravidez nos Estados Unidos.
Quais parâmetros de VD a errata de 2026 corrigiu?
A errata publicada em julho de 2026 substituiu a Tabela 4 da diretriz original.
| Parâmetro ecocardiográfico | Valor anormal (errata 2026) |
|---|---|
| Diâmetro diastólico final do VD (paraesternal longitudinal focado no VD) | ≥ 30 mm |
| Diâmetro basal diastólico final do VD (apical focado no VD) | ≥ 41 mm |
| Razão VD/VE | > 0,9 |
| TAPSE | ≤ 1,7 cm |
| Velocidade de regurgitação tricúspide sugestiva de hipertensão pulmonar | ≥ 2,9 m/s |
Na prática: se a alternativa trouxer TAPSE < 1,6 cm ou velocidade de regurgitação tricúspide > 2,6 m/s como corte, ela usa a tabela original, já substituída. Pela errata, TAPSE ≤ 1,7 cm é anormal.
A segunda parte desta revisão, sobre diagnóstico, está no carrossel 2 da série no @cmxperts.
Quem pode ir para casa e quem deve ser internado?
A diretriz é direta: categoria A recebe alta da emergência; categoria B tem alta precoce geralmente recomendada; C, D e E são internadas. Usar uma ferramenta de decisão para o tratamento ambulatorial é razoável (2a, B-R), e o tratamento ambulatorial em pacientes selecionados das categorias A e B também (2a, B-R). A condição é ter acesso imediato ao anticoagulante e seguimento rápido e confiável com especialista.
Para os internados, a diretriz detalha o local e o fluxo:
- Trombólise (sistêmica ou por cateter): internar em UTI ou unidade intermediária (1, C-EO).
- Trombectomia mecânica em paciente estável: unidade com telemetria (2a, B-R).
- Transferência de paciente estável de alto risco (C3 a D): pode ser considerada para centro com terapias avançadas (2b, C-LD).
- Categoria E: não transferir antes de estabilizar (3: dano, C-EO). A trombólise intravenosa, quando indicada, não deve ser atrasada pela transferência.
- PERT: acionar o time de resposta ao TEP nas categorias C a E (1, B-NR). Pacientes A ou B com comorbidade relevante também podem se beneficiar.
Na prática: TEP subsegmentar sintomático com sPESI 0 é B1 e pode ir para casa com DOAC, se houver seguimento garantido. O mesmo paciente com troponina elevada passa a C2 e é internado.
Qual anticoagulante usar no TEP agudo?
Sem contraindicação absoluta, todo paciente com TEP agudo deve ser anticoagulado (1, B-R). O fluxograma da diretriz é simples: nas categorias A e B, iniciar DOAC; de C1 a E1, iniciar HBPM; em E2, HBPM ou HNF.
| Situação | Recomendação | Classe |
|---|---|---|
| Categorias C1 a E1 | HBPM preferida à HNF | 1, B-R |
| Escolha do anticoagulante oral | DOAC preferido ao AVK | 1, B-R |
| Suspeita de TEP C2 ou mais grave, baixo risco de sangramento e imagem atrasada | Anticoagular antes da confirmação | 2a, C-EO |
| IMC > 30 kg/m² | DOAC é razoável | 2a, B-NR |
| Síndrome antifosfolípide trombótica | AVK | 1, A |
| SAF com apenas um anticorpo positivo | DOAC como alternativa | 2b, B-R |
| Tumor cerebral | DOAC em vez de HBPM | 2b, C-LD |
| DRC estágios 2 e 3 | DOAC preferido ao AVK | 1, A |
| DRC estágios 4 e 5 ou diálise | Apixabana versus AVK: benefício incerto | 2b, B-NR |
| Gestação | HBPM ou HNF | 1, C-LD |
| DOAC ou varfarina na gestação | Contraindicados | 3: dano, C-LD |
| Amamentação | HBPM, HNF ou varfarina em vez de DOAC | 1, C-LD |
| Cirrose Child-Pugh A | DOAC é razoável | 2a, C-LD |
| Cirrose Child-Pugh B | DOAC pode ser considerado | 2b, C-LD |
| Cirrose Child-Pugh C | DOAC não recomendado | 3: dano, C-LD |
| Anti-Xa de rotina com HBPM por peso | Sem benefício | 3: sem benefício, A |
Quando a dosagem de anti-Xa é feita, o pico deve ser colhido 3 a 5 horas após a dose, depois de pelo menos 3 doses (1, C-LD). Com clearance de creatinina < 30 mL/min, monitorar o anti-Xa é razoável (2a). Após cirurgia bariátrica, a diretriz orienta evitar DOAC por pelo menos 4 semanas.
Os esquemas de início citados pela diretriz também caem em prova: apixabana 10 mg 2 vezes ao dia por 7 dias, rivaroxabana 15 mg 2 vezes ao dia por 21 dias, e pelo menos 5 dias de anticoagulante parenteral antes de iniciar dabigatrana ou edoxabana.
Na prática: o benefício de anticoagular antes da imagem é maior quanto maior a gravidade. Em suspeita de TEP C2 ou mais grave, com baixo risco de sangramento e imagem que vai demorar, não espere a angio-TC para começar.
Como tratar o choque e a hipoxemia no TEP?
Nas categorias D2 a E2, vasopressor e inotrópico são recomendados (1, C-LD). A norepinefrina é, em geral, o vasopressor de escolha, e a dobutamina entra como adjuvante. Volume pode ser considerado em D1 e D2 (2b, C-LD), em bolus pequenos de até 500 mL: o VD sobrecarregado tolera mal a expansão generosa. Vasodilatador pulmonar inalatório pode ser considerado de C2 a E (2b, B-R).
A via aérea exige cuidado especial. Nas categorias C a E, a sedação para intubação deve ocorrer com suporte hemodinâmico disponível (1, C-LD). O cateter nasal de alto fluxo é razoável na hipoxemia moderada a grave (2a, C-LD). Sedação profunda e ventilação mecânica nas categorias C a E, sem indicação clara, causam dano (3: dano, C-LD).
Na categoria E2 com choque refratário, a ECMO venoarterial é razoável (2a, B-NR), com anticoagulação durante o suporte (1, B-NR).
Na prática: intubar o paciente com TEP grave pode precipitar a parada. Antes de sedar, deixe o vasopressor pronto, e evite o "2 litros de soro" do choque séptico.
A terceira parte desta revisão, sobre anticoagulação, está resumida no carrossel 3 da série no @cmxperts.
Quando acionar trombólise, cateter, cirurgia ou ECMO?
Cabe ao clínico reconhecer a categoria e acionar o PERT.
| Categoria | Trombólise sistêmica | Trombólise por cateter | Trombectomia mecânica | Embolectomia cirúrgica |
|---|---|---|---|---|
| A a C1 | 3: dano | 3: sem benefício | 3: sem benefício | 3: sem benefício |
| C2 | 3: dano | 2b | 2b | 3: sem benefício |
| C3 | 2b | 2b | 2b | 3: sem benefício |
| D1 e D2 | 2b | 2b | 2b | 2b |
| E1 | 2a | 2a | 2a | 2a |
| E2 | 2a | não se aplica | não se aplica | 3: sem benefício (sem suporte circulatório) |
Pontos que a tabela não mostra:
- Trombólise sistêmica: razoável em E1 e E2 (2a, C-LD), pode ser considerada em D1 e D2 (2b, C-LD) e tem benefício incerto em C3 (2b, C-LD). Nas categorias A1 a C2, não deve ser usada (3: dano, B-R). A dose reduzida pode ser considerada (2b, C-LD). O esquema mais usado nos estudos é a alteplase 100 mg em 2 horas.
- Trombólise por cateter: razoável em E1 (2a, C-LD) e pode ser considerada em D1 e D2 (2b, B-NR). Pode ser preferida à trombólise sistêmica em D1 a E1 para reduzir sangramento maior (2b, C-LD).
- Trombectomia mecânica: razoável em E1 (2a, B-NR) e pode ser considerada em D1 e D2 (2b, B-NR).
- Embolectomia cirúrgica: razoável em E1 (2a, B-NR). Em candidatos cirúrgicos de D1 a E1, pode ser preferida à trombólise sistêmica para reduzir o risco de hemorragia intracraniana (2b, B-NR).
- Trombo em trânsito: de C3 a E2, terapia avançada é razoável (2a, C-LD).
- ECMO venoarterial: razoável em E2 refratário (2a, B-NR). Terapia avançada adicional durante a ECMO pode ser considerada (2b, C-LD).
Na prática: o TEP C2 estável, com VD dilatado e troponina normal, não recebe trombólise sistêmica. É classe 3: dano. Anticoagule, interne e acione o PERT.
Quando indicar filtro de veia cava?
O filtro é para quem não pode ser anticoagulado. Nesse cenário, o filtro recuperável é recomendado (1, B-R) e deve ser retirado assim que possível (1, C-LD), com seguimento estruturado para a retirada (2a, C-LD). Em paciente que já está anticoagulado, o filtro de rotina causa dano (3: dano, A). Em recorrência apesar da anticoagulação, nas categorias B a E, o filtro pode ser considerado (2b).
A quarta parte desta revisão, sobre terapias avançadas, fecha a série no @cmxperts.
Por quanto tempo anticoagular depois do TEP?
A anticoagulação tem uma fase inicial de 3 a 6 meses. A partir daí, decide-se entre parar ou entrar na fase estendida, definida como anticoagulação sem data prevista para terminar. A decisão depende do fator de risco presente no episódio.
| Fator de risco (Tabela 9) | Exemplos | Conduta |
|---|---|---|
| Reversível maior | Cirurgia com anestesia geral ≥ 30 min; internação por doença clínica aguda ≥ 72 h acamado; cesárea; fratura de membro inferior | Parar ao fim da fase inicial (1, B-NR) |
| Reversível menor | Cirurgia com anestesia geral < 30 min; internação clínica < 72 h; doença aguda fora do hospital com ≥ 72 h acamado; estrogênio; periparto; trauma com mobilidade reduzida ≥ 72 h | Decisão compartilhada (2a, B-NR) |
| Persistente | Câncer ativo; doença autoimune; doença inflamatória intestinal; imobilidade crônica | Manter na fase estendida (1, C-LD) |
| Sem fator reversível maior | Primeiro TEP sem fator reversível maior identificado | Estender (1, A) |
Na fase estendida:
- DOAC é preferido ao AVK (1, A).
- Com câncer, DOAC ou HBPM são preferidos ao AVK (1, A).
- Com contraindicação ao DOAC, AVK é preferido à aspirina ou a nenhuma terapia (1, B-R).
- Apixabana ou rivaroxabana em meia dose é recomendada para reduzir sangramento (1, A).
- Se o paciente recusa ou não pode usar anticoagulante, aspirina em baixa dose é razoável (2a, B-R).
- Quem segue na fase estendida deve ter risco e benefício reavaliados periodicamente (1, B-NR).
Na recorrência, a imagem (angio-TC ou V/Q) é recomendada para confirmar o diagnóstico (1, C-EO), e a causa deve ser investigada (1, C-LD). Com adesão confirmada, trocar de classe de anticoagulante é razoável (2a, C-EO). Recorrência em uso de DOAC em meia dose pede retorno à dose plena da mesma classe (2a, C-EO). No câncer com recorrência em HBPM, aumentar a dose em 20% a 25% é razoável (2a, B-NR).
Na prática: TEP após fratura de fêmur é fator reversível maior: 3 a 6 meses e parar. TEP sem causa identificada vai para a fase estendida, de preferência com DOAC em meia dose após a fase inicial.
Como deve ser o seguimento após o TEP?
| Momento ou tema | Recomendação | Classe |
|---|---|---|
| Primeira semana após a alta | Consulta para educação, adesão e sangramento | 1, C-LD |
| Até 3 meses | Consulta para definir duração e avaliar sintomas persistentes | 1, C-EO |
| Toda consulta, por pelo menos 1 ano | Perguntar sobre sintomas e limitação funcional | 1, C-LD |
| Dispneia ou limitação após ≥ 3 meses de anticoagulação | Investigar doença pulmonar tromboembólica crônica | 1, B-NR |
| TEP sem fator de risco identificável | Anamnese, exame físico e rastreio de câncer apropriado para a idade | 1, A |
| Rastreio de câncer com TC ou PET de rotina | Não recomendado | 3: sem benefício, A |
| Trombofilia, sem fator reversível maior, com história familiar ou < 55 anos | Pode ser razoável se mudar a conduta | 2b, C-LD |
Na investigação de doença pulmonar tromboembólica crônica, ecocardiograma transtorácico mais cintilografia de perfusão são razoáveis (2a, B-NR), assim como o teste cardiopulmonar de exercício (2a, B-NR). Repetir imagem em quem ficou assintomático e tem baixa suspeita não traz benefício (3: sem benefício, B-NR). Os testes de trombofilia baseados em coagulação não devem ser feitos na fase aguda: o próprio evento e os anticoagulantes alteram os resultados. Os testes genéticos e imunológicos podem ser feitos a qualquer momento.
Na prática: dispneia que persiste 3 meses após o TEP não é "sequela esperada". É indicação de investigar doença crônica, começando por ecocardiograma e cintilografia de perfusão.
Erros comuns na prova e no plantão
- Chamar de "submaciço" ou "maciço". A diretriz 2026 usa categorias A a E. Hipotensão transitória é D1, e não E.
- Achar que PA normal afasta gravidade. Lactato > 2 mmol/L com PA normal é choque normotensivo (D2).
- Confundir C2 com C3. C2 é VD anormal ou biomarcador alterado; C3 exige os dois.
- Pedir ecocardiograma para confirmar TEP. Não confirma nem exclui (3: sem benefício). Serve para avaliar o VD.
- Usar D-dímero fixo de 500 em idoso. Acima de 50 anos, o corte é idade × 10 μg/L FEU (2a, B-R).
- Trombolisar o TEP C2 estável. É 3: dano. Trombólise sistêmica é razoável em E1 e E2.
- Usar cortes antigos do ecocardiograma. A errata de 2026 substituiu a Tabela 4 inteira, inclusive TAPSE (≤ 1,7 cm), velocidade de regurgitação tricúspide (≥ 2,9 m/s) e os diâmetros do VD.
- Colocar filtro em quem está anticoagulado. É 3: dano, A.
- Expandir volume generosamente. Bolus pequenos, até 500 mL, e norepinefrina cedo.
- Prescrever DOAC na gestante ou no Child-Pugh C. Ambos são 3: dano.
Perguntas frequentes
O que é TEP categoria D2? É o choque normotensivo: pressão preservada com sinal de hipoperfusão, como lactato > 2 mmol/L, oligúria ou alteração do estado mental. Fica entre a categoria C e a falência cardiopulmonar franca (E).
Paciente com TEP pode receber alta direto da emergência? Sim, na categoria A, e alta precoce na categoria B, desde que tenha acesso imediato ao anticoagulante e seguimento rápido com especialista.
Qual anticoagulante a diretriz prefere? HBPM em vez de HNF nas categorias C1 a E1 e DOAC em vez de AVK. As exceções incluem gestação, SAF trombótica e cirrose Child-Pugh C.
Quando a trombólise sistêmica é indicada? É razoável nas categorias E1 e E2 (2a) e pode ser considerada em D1 e D2 (2b). De A1 a C2, é classe 3: dano.
Quanto tempo dura a anticoagulação após um TEP sem causa? A fase inicial dura 3 a 6 meses. Sem fator de risco reversível maior, a diretriz recomenda estender sem data para parar (1, A), com reavaliação periódica.
O que mudou na errata de julho de 2026? A tabela de parâmetros do VD ao ecocardiograma. Os cortes atuais incluem TAPSE ≤ 1,7 cm e velocidade de regurgitação tricúspide ≥ 2,9 m/s.
Pontos-chave
- O TEP agudo passa a ser classificado em categorias A a E, pelo indicador mais grave, com modificador R para comprometimento respiratório.
- Categoria A tem alta da emergência, B tem alta precoce e C a E são internadas.
- D-dímero ajustado à idade e escore YEARS excluem TEP em probabilidade < 50% (2a, B-R).
- Angio-TC é o exame preferido (1, B-R). Ecocardiograma não confirma nem exclui o diagnóstico.
- HBPM é preferida à HNF de C1 a E1, e DOAC é preferido ao AVK (1, B-R).
- Trombólise e procedimentos são razoáveis em E1 e podem ser considerados em D1 e D2. De A a C1, não têm benefício ou causam dano. Em C2 e C3, o benefício é incerto.
- O PERT é recomendado nas categorias C a E (1, B-NR).
- Sem fator de risco reversível maior, a anticoagulação é estendida (1, A).
- Pergunte sobre sintomas em toda consulta por pelo menos 1 ano para rastrear doença pulmonar tromboembólica crônica.
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Artigo do Dr. Erick Pordeus (CRM-PE 26147, RQE 11604 em Clínica Médica) para a CM Xperts. Revisado em outubro de 2026 contra o texto integral da diretriz.
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Este conteúdo tem caráter educacional e de revisão para preparação ao TECM, não substituindo a leitura integral da diretriz nem o julgamento clínico individualizado. As condutas devem ser sempre adaptadas ao contexto de cada paciente.
Referências
Creager MA, Barnes GD, Giri J, et al. 2026 AHA/ACC/ACCP/ACEP/CHEST/SCAI/SHM/SIR/SVM/SVN Guideline for the Evaluation and Management of Acute Pulmonary Embolism in Adults: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Joint Committee on Clinical Practice Guidelines. Circulation. 2026;153:e977–e1051. DOI: 10.1161/CIR.0000000000001415.
Correction to: 2026 AHA/ACC/ACCP/ACEP/CHEST/SCAI/SHM/SIR/SVM/SVN Guideline for the Evaluation and Management of Acute Pulmonary Embolism in Adults. Circulation. 2026;154:e24. DOI: 10.1161/CIR.0000000000001462.
