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Fibrilação Atrial: o que muda com a Diretriz SBC 2025

Manejo da fibrilação atrial pela Diretriz SBC 2025: escore CHA2DS2-VA, HAS-BLED, anticoagulação com DOAC, controle de ritmo e indicações de ablação.

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Fibrilação Atrial: o que muda com a Diretriz SBC 2025

A fibrilação atrial é a arritmia sustentada mais prevalente na prática clínica e responde por quase um terço de todos os eventos isquêmicos cerebrais, tendo a cardioembolia como principal mecanismo. Saber quando anticoagular, quando priorizar a manutenção do ritmo sinusal e como individualizar a estratégia é a essência do manejo moderno. A Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial de 2025 trouxe duas mudanças que se destacam: a adoção do escore CHA2DS2-VA, que abandona o sexo feminino como item de pontuação, e a confirmação de que manter o ritmo sinusal é superior ao controle da frequência em mortalidade, AVC isquêmico e hospitalização por insuficiência cardíaca. Este artigo organiza, de forma fiel à diretriz, os pontos que estruturam a conduta e que costumam cair em prova.

Definição e classificação

A FA é definida como arritmia atrial com completa desorganização da atividade elétrica atrial. O diagnóstico eletrocardiográfico exige documentação em ECG de 12 derivações ou em traçado de ritmo de derivação única, caracterizado pela ausência de onda P e irregularidade do intervalo RR, com duração mínima de 30 segundos.

A classificação segue dois eixos. Quanto à apresentação, distingue-se a FA clínica, sintomática ou assintomática, registrada em ECG de 12 derivações ou em traçado de derivação única com pelo menos 30 segundos, da FA subclínica, que se refere a indivíduos assintomáticos com ritmo atrial acelerado observado em dispositivo cardíaco eletrônico implantável. Para reduzir artefatos, costuma-se considerar como ritmo atrial acelerado os episódios com frequência maior ou igual a 175 bpm, normalmente com duração maior ou igual a cinco minutos.

Quanto à duração, a categorização é a seguinte:

Tipo de FA Duração / definição
Paroxística Menos de sete dias, independentemente da forma de reversão
Persistente Mais de sete dias e menos de um ano
Persistente de longa duração Mais de um ano
Permanente Médico e paciente decidem não tentar restabelecer o ritmo sinusal, independentemente do tempo de instalação
Pós-ablação Paciente submetido à ablação por cateter ou cirúrgica que evolui sem recorrência

O termo “FA valvar” caiu em desuso. A recomendação atual é especificar a condição valvar subjacente, com atenção especial à estenose mitral moderada a grave e às próteses valvares mecânicas, que têm implicações próprias na escolha do anticoagulante.

Diagnóstico e investigação inicial

A documentação eletrocardiográfica é necessária para o diagnóstico de FA (classe I, nível C). O diagnóstico de FA clínica deve ser realizado pelo ECG de 12 derivações ou por traçado de derivação única, com ausência de onda P e irregularidade RR por, no mínimo, 30 segundos (classe I, nível C).

A busca ativa da arritmia segue recomendações específicas:

Cenário / estratégia Classe Nível
Triagem oportunista com palpação de pulso ou ECG de 12 derivações em pacientes acima de 65 anos I B
Avaliação de ritmo atrial acelerado em portadores de dispositivo cardíaco eletrônico implantável I B
ECG e Holter de 24 a 72 horas no AVC isquêmico ou embolia sistêmica com fatores de risco para FA I B
Triagem sistemática individualizada conforme suspeita clínica e perfil de risco IIa B
Monitorização prolongada (monitor de eventos externo ou implantável) no AVC isquêmico criptogênico IIa B

O avanço dos dispositivos vestíveis e dos monitores implantáveis ampliou o diagnóstico tanto de FA clínica quanto subclínica, com sensibilidade de 67,7% a 100% e especificidade de 60,7% a 100% em estudos de validação. A maior disponibilidade é oportunidade de rastreamento, mas também desafio, já que esses pacientes não foram contemplados nos grandes ensaios que regem o tratamento atual.

Na prática: até que novas evidências surjam, a FA subclínica deve ser conduzida com cautela e analisada individualmente — ela não se comporta como a FA clínica.

Estratificação de risco tromboembólico

A decisão sobre anticoagular parte da estimativa do risco de AVC. O escore mais utilizado é o CHA2DS2-VA, antes denominado CHA2DS2-VASc. A mudança, proposta pela Sociedade Europeia de Cardiologia e endossada pela diretriz brasileira, retira o sexo feminino da pontuação por entendê-lo como fator modificador, e não como item independente, além de evitar a exclusão de pacientes com identidade não binária, transgêneros ou em uso de terapia hormonal.

Escore CHA2DS2-VA

Critério Pontos
Insuficiência cardíaca congestiva / disfunção ventricular esquerda 1
Hipertensão arterial 1
Idade maior ou igual a 75 anos 2
Diabetes melito 1
Histórico de AVC, AIT ou embolia sistêmica 2
Doença vascular (IAM prévio, doença arterial periférica ou placa aórtica) 1
Idade entre 65 e 74 anos 1

O escore tem alta sensibilidade e valor preditivo negativo para identificar a população de baixo risco, mas baixa especificidade para detectar pacientes de alto risco. Os cortes que orientam a conduta:

Escore CHA2DS2-VA Risco Conduta Classe / Nível
0 Baixo (cerca de 1,3% ao ano) Sem indicação de terapia antitrombótica I / A
1 Intermediário Terapia pode ser instituída, ponderando benefício, risco de sangramento, apresentação da FA e preferência do paciente IIa / B
Maior ou igual a 2 Alto Terapia antitrombótica recomendada I / A

Na prática: o escore CHA2DS2-VA deve ser empregado em todos os pacientes (classe I, nível A). Não pontue o sexo feminino — ele passou a ser fator modificador, não item independente.

Risco de sangramento: HAS-BLED

Em revisão sistemática com 38 estudos, o HAS-BLED apresentou a melhor evidência na predição de eventos hemorrágicos.

Critério Pontos
H – Hipertensão arterial (PAS acima de 160 mmHg) 1
A – Alteração da função renal ou hepática (clearance de creatinina ≤ 50 mL/min, creatinina ≥ 2,26 mg/dL, hemodiálise ou transplante renal; bilirrubina ≥ 2x VN + TGO/TGP/FA ≥ 3x VN ou cirrose) 1 ou 2
S – AVC prévio 1
B – Sangramento prévio ou predisposição 1
L – INR lábil ou menos de 60% do tempo na faixa terapêutica 1
E – Idade acima de 65 anos 1
D – Uso de drogas (AINE/AINH, antiplaquetários) ou abuso de álcool (mais de 20 U por semana) 1 ou 2

Valores maiores ou iguais a 3 indicam alto risco, mas não contraindicam a anticoagulação. Nesses pacientes, melhorar o controle da hipertensão, evitar o uso concomitante de anti-inflamatórios ou álcool e substituir a varfarina por um ACOD são condutas que mitigam o risco. O escore ORBIT, ainda que considere idade, hemoglobina, antecedente de sangramento, disfunção renal e uso de antiplaquetário, não se mostrou superior ao HAS-BLED. O risco hemorrágico é dinâmico, e a reavaliação periódica dos fatores modificáveis é fundamental.

Na prática: o HAS-BLED identifica e corrige fatores modificáveis — não serve para negar anticoagulação. A estimativa de sangramento, na ausência de contraindicações absolutas, não deve guiar a decisão de anticoagular (classe III, nível A).

Anticoagulação

A anticoagulação oral é recomendada para pacientes com CHA2DS2-VA maior ou igual a 2; com escore zero, o risco é baixo e a anticoagulação não é necessária. Algumas condições impõem anticoagulação independentemente do escore:

Condição Conduta Classe / Nível
Miocardiopatia hipertrófica Anticoagulação a despeito do CHA2DS2-VA I / B
Amiloidose cardíaca Anticoagulação a despeito do CHA2DS2-VA I / B
Hipertireoidismo Anticoagulação a despeito do CHA2DS2-VA I / B

A reavaliação periódica do risco tromboembólico e de sangramento é recomendada (classe I, nível B), e o HAS-BLED pode ser considerado para identificar fatores modificáveis nos pacientes de alto risco (classe IIa, nível B).

Escolha do anticoagulante: DOAC vs varfarina

Os ACOD (DOAC) são a terapia de primeira linha. Em comparação com placebo, a varfarina já reduzia o risco de AVC em 64% e a mortalidade em 26%, mas tem janela terapêutica estreita, farmacocinética e farmacodinâmica variáveis, múltiplas interações e necessidade de monitoramento. Em metanálise dos grandes estudos pivotais, os ACOD, em comparação com os AVK, reduziram em 19% o AVC ou embolia sistêmica, 51% o AVC hemorrágico, 10% a mortalidade, 14% o sangramento maior e 52% o sangramento intracraniano, à custa de aumento de 25% no sangramento gastrointestinal.

Situação clínica Anticoagulante de escolha Observações Classe / Nível
FA não valvar elegível à terapia ACOD (preferíveis aos AVK) Primeira linha I / A
Válvula cardíaca mecânica Varfarina RNI-alvo 2,0–3,0 I / A
Estenose mitral moderada a grave Varfarina RNI-alvo 2,0–3,0 I / A
Outras valvopatias (insuficiência/estenose aórtica, insuficiência mitral, biopróteses, plastia) ACOD apropriados Incluídas nos estudos pivotais; eficácia e segurança confirmadas
FA subclínica Edoxabana ou apixabana podem ser consideradas Ponderar risco, benefício e preferência IIa / B

Para pacientes em uso de AVK, o RNI deve ter alvo 2,0 a 3,0 e permanecer mais de 70% do tempo na faixa terapêutica (classe I, nível B). Duas recomendações negativas são igualmente importantes: antiagregantes plaquetários, isolados ou em combinação, não são recomendados para a prevenção tromboembólica na FA (classe III, nível A); e a estimativa do risco de sangramento, na ausência de contraindicações absolutas, não deve guiar a decisão da terapia antitrombótica (classe III, nível A).

Na prática: prescrever ACOD para prótese mecânica ou estenose mitral moderada a grave é erro de impacto direto — nesses dois cenários, a varfarina com RNI 2 a 3 é mandatória.

Controle de frequência versus controle de ritmo

O tratamento antiarrítmico visa controlar sintomas e prevenir complicações cardiovasculares. Duas estratégias se apresentam: o controle do ritmo, que busca manter o ritmo sinusal, e o controle da frequência, que não prioriza a reversão da arritmia. A controvérsia de mais de duas décadas foi reorientada por evidências recentes: o estudo EAST AFNET 4 demonstrou menor mortalidade, menos eventos tromboembólicos e menos hospitalizações com o controle do ritmo, e metanálise de 2023 confirmou redução superior a 20% em mortalidade, AVC isquêmico e hospitalização por insuficiência cardíaca. O controle do ritmo deve ser priorizado nos pacientes com maior chance de manter o ritmo sinusal, sobretudo aqueles com idade inferior a 65 anos e remodelamento atrial discreto a moderado.

Controle da frequência: fármacos

Classe / fármaco Comentário
Betabloqueadores (classe II): bisoprolol, metoprolol, atenolol, carvedilol Agentes preferenciais na fase aguda e ambulatorial; bisoprolol, metoprolol e atenolol são cardiosseletivos (mais nos dois primeiros); bisoprolol, carvedilol e metoprolol podem ser usados na disfunção sistólica do VE
Bloqueadores de canais de cálcio não diidropiridínicos (classe IV): verapamil, diltiazem Eficazes; primeira linha ou alternativa aos betabloqueadores. Não usar se FEVE inferior a 40% (efeito inotrópico negativo)
Digoxina Reservada quando o controle permanece inadequado a despeito de betabloqueadores/bloqueadores de cálcio, ou quando há intolerância. Evitar na doença renal avançada; cautela associada à amiodarona (risco de toxicidade)

Controle do ritmo: antiarrítmicos

Fármaco Eficácia / uso Limitações
Amiodarona A mais eficaz (até 2x mais que propafenona e sotalol); pode ser usada na cardiopatia estrutural e disfunção sistólica do VE Descontinuação em cerca de 15%: disfunção tireoidiana, toxicidade pulmonar com fibrose (cerca de 3%), hepatotoxicidade, neuropatia, impregnação corneana. Exige monitorização renal, hepática, tireoidiana, radiografia de tórax e avaliação oftalmológica
Sotalol Eficácia semelhante à propafenona; útil na cardiopatia isquêmica com FEVE acima de 40% Inferior à amiodarona. Não recomendado na disfunção sistólica grave (aumento de mortalidade no estudo SWORD); evitar na hipertrofia miocárdica importante
Propafenona Opção de controle do ritmo Eficácia inferior à amiodarona

Cardioversão

Pacientes submetidos à cardioversão elétrica devem ser avaliados quanto ao risco tromboembólico, e a duração da arritmia orienta a conduta. Quando a FA tem menos de 24 horas, a cardioversão deve ser precedida por anticoagulação com ACOD, heparina subcutânea (enoxaparina 1 mg/kg) ou heparina endovenosa em bolus (60 a 70 U/kg). FA de menos de 12 horas com CHA2DS2-VA igual a 0 em homens e 1 em mulheres é de baixo risco; FA de etiologia valvar (estenose mitral grave, prótese mecânica) ou evento embólico prévio configura risco elevado. A anticoagulação deve ser mantida por, pelo menos, quatro semanas após a cardioversão.

Ablação por cateter

A ablação, fundamentada no isolamento das veias pulmonares, ocupa papel crescente. As indicações:

Indicação Conduta Classe / Nível
FA paroxística ou persistente sintomática, refratária ou intolerante a pelo menos um antiarrítmico de classe I ou III Recomendada I / A
Após intolerância a betabloqueador Pode ser considerada IIa / B
FA paroxística sintomática, como primeira linha, por escolha do paciente Recomendada I / B
FA persistente sintomática, como primeira linha, por escolha do paciente Pode ser considerada IIa / B
FA que induz taquicardiomiopatia e IC com fração de ejeção reduzida, independentemente de sintomas Recomendada como primeira linha I / B
Mesmos pacientes, visando melhora de mortalidade e redução de hospitalização por IC Deve ser considerada como primeira linha IIa / A

Na prática: na suspeita de taquicardiomiopatia com IC de fração reduzida, a ablação é primeira linha mesmo sem sintomas — atenção a esse cenário, que costuma ser cobrado.

Situações especiais

A doença valvar exige distinção cuidadosa: a varfarina permanece como primeira linha na estenose mitral moderada a grave de origem reumática e nas próteses mecânicas (RNI-alvo em torno de 2 a 3); as demais valvopatias comportam ACOD.

A doença renal é fator relevante. Pacientes com insuficiência renal preenchem facilmente critérios para anticoagulação, mas têm alto risco de sangramento e costumam ser excluídos dos grandes ensaios. No estágio 4 (TFG 15 a 29 mL/min/1,73 m²), as evidências vêm sobretudo de estudos observacionais; análise do ARISTOTLE com clearance entre 25 e 30 mL/min mostrou a apixabana eficaz e mais segura que a varfarina. No estágio terminal (clearance abaixo de 15 mL/min) ou em terapia substitutiva, a eficácia da varfarina não está estabelecida, e a apixabana parece alternativa razoável quando se opta por anticoagular.

A FA pós-operatória ocorre em pacientes sem diagnóstico prévio, favorecida por tônus simpático aumentado, inflamação, estresse oxidativo e distúrbios hidroeletrolíticos, em especial a hipomagnesemia. Cerca de 90% dos casos surgem em até seis dias após a cirurgia. A incidência varia de 5% a 10% em cirurgias não cardíacas e pode chegar a 55% em cirurgias cardíacas. A insuficiência cardíaca é um dos preditores mais importantes. Na prevenção, os betabloqueadores reduzem a FA em cirurgia cardíaca, mas sem traduzir em menos AVC, morte ou tempo de internação (metanálise de 33 estudos), e seu uso deve ser cauteloso; em cirurgias não cardíacas, betabloqueadores profiláticos não são recomendados por causarem mais risco do que benefício. A amiodarona profilática reduz a FA e o tempo de internação em cirurgias cardíacas, com maior benefício em dose acumulada acima de 3.000 mg. No tratamento, opta-se por controle de frequência com anticoagulação ou pela reversão; a instabilidade hemodinâmica impõe cardioversão elétrica imediata.

Perguntas frequentes

O que mudou do CHA2DS2-VASc para o CHA2DS2-VA? O sexo feminino deixou de pontuar. Passou a ser entendido como fator modificador do risco, e não como item independente. A mudança também torna o escore mais inclusivo para pacientes não binários, transgêneros ou em terapia hormonal.

A partir de qual escore CHA2DS2-VA devo anticoagular? Escore maior ou igual a 2 indica anticoagulação (classe I, nível A). Escore 0 dispensa terapia antitrombótica (classe I, nível A). Escore 1 é individualizado, ponderando benefício, risco de sangramento, apresentação da FA e preferência do paciente (classe IIa, nível B).

Um HAS-BLED elevado contraindica anticoagular? Não. Valores maiores ou iguais a 3 sinalizam alto risco de sangramento, mas servem para identificar e corrigir fatores modificáveis. A estimativa de sangramento, na ausência de contraindicações absolutas, não deve guiar a decisão de anticoagular (classe III, nível A).

Quando a varfarina é obrigatória em vez de um DOAC? Em dois cenários: válvula cardíaca mecânica e estenose mitral moderada a grave. Nesses casos, a varfarina com RNI-alvo 2 a 3 é mandatória (classe I, nível A). Nas demais valvopatias, os ACOD são apropriados.

Controle de ritmo ou de frequência: qual escolher? A manutenção do ritmo sinusal é superior ao controle de frequência em mortalidade, AVC isquêmico e hospitalização por IC. O controle do ritmo deve ser priorizado em pacientes mais jovens (idade inferior a 65 anos) e com remodelamento atrial discreto a moderado.

Existe alguma condição que indica anticoagular independentemente do escore? Sim. Miocardiopatia hipertrófica, amiloidose cardíaca e hipertireoidismo indicam anticoagulação a despeito do CHA2DS2-VA (classe I, nível B).

Pontos-chave: o que todo médico deve saber

O diagnóstico de FA exige documentação eletrocardiográfica com ausência de onda P e irregularidade RR por, no mínimo, 30 segundos (classe I, nível C). A classificação por duração separa a paroxística (menos de sete dias), a persistente (sete dias a um ano), a persistente de longa duração (mais de um ano) e a permanente (decisão de não restaurar o ritmo sinusal).

O escore CHA2DS2-VA substitui o CHA2DS2-VASc e não pontua o sexo feminino. A anticoagulação é recomendada com escore maior ou igual a 2 (classe I, nível A), dispensada com escore 0 (classe I, nível A) e individualizada com escore 1 (classe IIa, nível B). Miocardiopatia hipertrófica, amiloidose cardíaca e hipertireoidismo indicam anticoagulação independentemente do escore (classe I, nível B).

Os ACOD são a primeira linha e preferíveis aos AVK, exceto na válvula mecânica e na estenose mitral moderada a grave, em que a varfarina com RNI 2 a 3 é mandatória (classe I, nível A). Antiagregantes plaquetários não substituem a anticoagulação na prevenção tromboembólica (classe III, nível A).

A manutenção do ritmo sinusal é superior ao controle de frequência em mortalidade, AVC e hospitalização, e o controle de ritmo deve ser priorizado em pacientes mais jovens e com remodelamento atrial discreto a moderado. A amiodarona é o antiarrítmico mais eficaz e o de escolha na cardiopatia estrutural com disfunção do ventrículo esquerdo. A ablação é primeira linha na FA que induz taquicardiomiopatia com insuficiência cardíaca de fração reduzida (classe I, nível B).


CM Xperts — preparação para o TECM

Conteúdo produzido pela equipe CM Xperts. Se você se prepara para o Título de Especialista em Clínica Médica, baixe gratuitamente o Mapa da Aprovação ou conheça o Estudo Dirigido TECM.


Este conteúdo tem caráter educacional e de revisão para preparação ao TECM, não substituindo a leitura integral da diretriz nem o julgamento clínico individualizado. As condutas devem ser sempre adaptadas ao contexto de cada paciente.

Referência: Cintra FD et al. Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250618.