SiteBlogDiretrizes e Atualizações

Vasculite associada ao ANCA (BSR 2025): indução, manutenção e recidiva na prática clínica

Indução, manutenção e recidiva na vasculite associada ao ANCA (GPA, MPA e EGPA) segundo a BSR 2025: rituximabe, ciclofosfamida, avacopan e plasmaférese.

· Atualizado em · 14 min de leitura

Por

Vasculite associada ao ANCA (BSR 2025): indução, manutenção e recidiva na prática clínica

A vasculite associada ao ANCA (AAV) reúne três entidades clínico-patológicas: granulomatose com poliangiite (GPA), poliangiite microscópica (MPA) e granulomatose eosinofílica com poliangiite (EGPA). São doenças multissistêmicas, com inflamação e necrose de vasos de pequeno e médio calibre e mortalidade ainda 2,3 vezes maior que a da população geral. Diagnóstico precoce, imunossupressão rápida e adequada e redução da toxicidade do tratamento são os pilares para mitigar dano e óbito.

Em 2025, a British Society for Rheumatology (BSR) publicou a atualização das recomendações de manejo da AAV, com 26 recomendações distribuídas em cinco domínios. Este artigo sintetiza, com tabelas e quadros práticos, o que muda no raciocínio clínico — material direto ao ponto para quem se prepara para o TECM.

O espectro da AAV: GPA, MPA e EGPA

As três síndromes compartilham a associação a autoanticorpos contra proteínas granulares de neutrófilos (proteinase 3 e mieloperoxidase), mas têm fenótipos e estratégias de tratamento distintas — por isso a EGPA é considerada separadamente da GPA/MPA.

Entidade Marca clínica predominante ANCA típico Particularidade
GPA (granulomatose com poliangiite) Doença granulomatosa de vias aéreas superiores e inferiores, rim, estenose subglótica PR3 mais frequente Maior risco de estenose subglótica e doença sinonasal
MPA (poliangiite microscópica) Glomerulonefrite rapidamente progressiva, capilarite pulmonar MPO mais frequente Menos manifestação granulomatosa
EGPA (granulomatose eosinofílica com poliangiite) Asma de início adulto, rinossinusite crônica, eosinofilia ANCA positivo em apenas ~40% dos casos Antiga síndrome de Churg-Strauss; inflamação tipo 2

Na prática: segundo a Recomendação 1 (GRADE 1C, SoA 98%), toda pessoa com AAV ativa — recém-diagnosticada ou em recidiva — deve ser considerada como tendo doença potencialmente ameaçadora à vida ou a órgãos. Isso orienta a agressividade da indução.

Estados de atividade de doença (definições EULAR endossadas pela BSR)

Estado Definição
Doença ativa Sinais, sintomas ou achados típicos de AAV ativa (ex.: glomerulonefrite, nódulos pulmonares)
Remissão Ausência de manifestações típicas, com ou sem imunossupressão
Remissão sustentada Ausência de manifestações por período definido
Resposta Redução ≥ 50% no escore de atividade e ausência de novas manifestações
Recidiva (relapse) Recorrência de AAV ativa após período de remissão
Refratária Manifestações inalteradas ou em piora após indução padrão (excluídas dano, infecção, efeitos do tratamento e comorbidades)

Diagnóstico: ANCA e biópsia

Os anticorpos anti-MPO e anti-PR3 são biomarcadores imunológicos centrais, mas têm limitações importantes. Na EGPA, o ANCA é positivo em apenas cerca de 40% dos casos, com maior frequência em quem tem acometimento renal e neurológico. Os critérios de classificação de EGPA de 2022 foram validados, porém não foram criados para diagnóstico e não devem ser usados com essa finalidade.

A suspeita de EGPA deve ser levantada diante da combinação de asma (sobretudo de início adulto), rinossinusite crônica (com ou sem polipose nasal) e eosinofilia periférica tipicamente ≥ 1 × 10⁹/L com acometimento de órgão-alvo (Recomendação 17, GRADE 1C, SoA 99%). A avaliação deve ser multidisciplinar (MDT), excluindo ativamente síndromes hipereosinofílicas, que se sobrepõem clinicamente à EGPA mas têm manejo distinto (Recomendação 18, GRADE 1C, SoA 99%).

Indução de remissão na GPA e MPA

A indução combina imunossupressor com glicocorticoide (GC) ou avacopan. As recomendações principais:

Recomendação Conteúdo GRADE (SoA)
2a Toda GPA/MPA ativa deve ser avaliada para indução com imunossupressor + GC ou avacopan 1A (99%)
2b Opções para doença nova: ciclofosfamida (CYC) IV em pulsos OU rituximabe (RTX) 1A (98%)
2c Doença ativa em recidiva: RTX é preferido 1B (97%)
2d Combinação CYC + RTX pode ser considerada em doença ameaçadora a órgão ou à vida 2C (98%)
2e Doença sem ameaça a órgão/vida: pode-se considerar metotrexato (MTX) ou micofenolato de mofetila (MMF) 1A (96%)

Pontos-chave do texto:

  • CYC e RTX têm eficácia equivalente na doença nova — a BSR não recomenda um agente sobre o outro nesse cenário. RCTs (RAVE, RITUXVAS) sustentam essa equivalência.
  • Não há corte de eGFR para uso de RTX em doença grave — a BSR não estabelece limiar de filtração glomerular, ao contrário de controvérsias em outras diretrizes. Análises observacionais não mostram diferença de benefício entre CYC e RTX na doença renal grave.
  • RTX é preferido na doença em recidiva, pois doses cumulativas de CYC aumentam risco de malignidade e outros efeitos adversos.
  • Preferência por RTX/CYC sobre MTX ou MMF pela maior taxa de remissão sustentada e menor exposição a GC.

Esquemas de rituximabe e da combinação

Esquema Dose Observação
RTX padrão 2 infusões de 1 g, com 2 semanas de intervalo Equivalente ao esquema “linfoma” em eficácia e duração da depleção de células B
RTX esquema “linfoma” 4 infusões semanais de 375 mg/m² Esquema de menor dose gera economia (atividade e custo de droga reduzidos no NHS)
Combinação RTX + CYC (RITUXVAS) RTX 375 mg/m²/semana por 4 semanas + CYC IV 15 mg/kg na 1ª e 3ª infusões de RTX Reservada a doença ameaçadora a órgão/vida; ponderar toxicidade

Na prática: em doença refratária após RTX ou CYC, revisar o diagnóstico e afastar fatores subjacentes (ex.: infecção). Excluídos esses fatores, recomenda-se tratar com o agente de indução alternativo ainda não utilizado (CYC ou RTX, conforme o caso).

Plasmaférese (PLEX): quando considerar

A maior evidência atual vem do estudo PEXIVAS, que não demonstrou benefício da plasmaférese sobre desfecho combinado de doença renal terminal (ESKD) ou óbito quando associada a metilprednisolona IV e GC oral. Isso reposicionou as indicações.

Recomendação Conteúdo GRADE (SoA)
3a GPA/MPA ativa com acometimento renal grave (creatinina > 300 µmol/L): considerar plasmaférese adjuvante, ponderando risco de eventos adversos 2B (96%)
3b Crianças com doença renal grave: dados insuficientes; apenas caso a caso, com centro especializado 2C (96%)
3c Hemorragia pulmonar sem acometimento renal grave: plasmaférese NÃO é recomendada de rotina 1A (96%)

Na prática: o benefício renal da plasmaférese precisa ser pesado contra o aumento estimado de ~20% no risco de infecção grave (meta-análise). O grupo de maior risco de infecção é o mais exposto ao dano — acréscimo absoluto de risco de 13,5% em 12 meses, contra 2,7% no grupo de menor risco.

Glicocorticoides: prioridade é minimizar a exposição

A dose alta de GC carrega grande carga de eventos adversos, com a infecção sendo a principal causa de excesso de mortalidade na GPA e MPA. A diretriz prioriza esquemas de redução rápida.

Recomendação Conteúdo GRADE (SoA)
4a Doença ameaçadora a órgão/vida: GC oral inicial 50–75 mg ou 1,0 mg/kg/dia (máx. 75 mg/dia), com desmame pelo esquema PEXIVAS, chegando a 5 mg de prednisolona/dia em 4–5 meses 1B (96%)
4b Doença sem ameaça a órgão/vida: esquemas menores, início de 0,5 mg/kg/dia, desmame pelo regime LoVAS 1B (97%)
4c Adolescentes: pode-se considerar o esquema; crianças menores podem seguir o desmame da diretriz SHARE 2C (96%)
4d Pulsos de metilprednisolona IV NÃO são recomendados de rotina; podem ser reservados a manifestações ameaçadoras a órgão (doença renal ativa, hemorragia alveolar difusa) 2C (97%)

O regime de dose reduzida do PEXIVAS foi não inferior quanto a óbito e ESKD, com redução de 40% na exposição a GC oral nos primeiros 6 meses e menos infecções graves no primeiro ano. No LoVAS (todos receberam RTX), o esquema de baixa dose foi não inferior ao de alta dose quanto a tempo até remissão, óbito, taxa de recidiva e ESKD.

Esquema de desmame de prednisolona (PEXIVAS), em mg/dia

Semana < 50 kg 50–75 kg > 75 kg
1 50 60 75
2 25 30 40
3–4 20 25 30
5–6 15 20 25
7–8 12,5 15 20
9–10 10 12,5 15
11–12 7,5 10 12,5
13–14 6 7,5 10
15–16 5 5 7,5
17–18 5 5 7,5
19–20 5 5 5
21–52 5 5 5

No regime LoVAS, a prednisolona inicia em 0,5 mg/kg/dia e é desmamada de forma mais rápida (chegando a 7,5 mg/dia por volta da semana 5–6 e a zero por volta da semana 19–20). No paciente em avacopan, o esquema opcional de esteroide inicia em 0,5 mg/kg/dia com desmame até zero na semana 4.

Avacopan: o inibidor de complemento poupador de corticoide

Recomendação Conteúdo GRADE (SoA)
5 GPA/MPA ativa deve ser considerada para uso de avacopan como agente poupador de esteroide, com ou sem um curso curto de GC (desmame em 4 semanas) 1A (96%)

O avacopan (dose usual de 30 mg duas vezes ao dia) surgiu após o estudo ADVOCATE como estratégia de evitar GC. A remissão sustentada foi semelhante aos 6 meses e superior aos 12 meses no grupo avacopan; os efeitos adversos relacionados a GC foram significativamente menores e a melhora de eGFR aos 6 e 12 meses foi maior nesse grupo. Quem tinha eGFR 15–20 mL/min na inclusão teve a maior recuperação de função renal, sugerindo benefício especial na doença renal grave.

Na prática: não há dados sobre uso de avacopan além de um ano de terapia — a duração recomendada não está bem definida e segue políticas locais/regionais. A recomendação BSR alinha-se a EULAR 2022, NICE e Scottish Medicines Consortium para GPA/MPA grave ativa, em conjunto com CYC ou RTX.

Manutenção de remissão na GPA e MPA

Recomendação Conteúdo GRADE (SoA)
6a Após indução com RTX ou CYC, manter remissão com RTX, de preferência a outros agentes 1A (98%)
6b RTX de manutenção: 500 mg a 1000 mg a cada 4–6 meses 1A (97%)
6c Azatioprina (AZA) ou MTX podem ser opções alternativas 1A (98%)
6d MMF é opção apenas quando há intolerância ou contraindicação a RTX, AZA ou MTX 2B (97%)

Os estudos MAINRITSAN e RITAZAREM mostraram RTX superior à AZA na prevenção de recidivas, com seguimento de longo prazo confirmando menores taxas de recidiva e menor toxicidade. AZA e MTX são equivalentes entre si (WEGENT). O MMF associou-se a maior risco de recidiva comparado à AZA, por isso seu uso é restrito.

Duração da manutenção

Recomendação Conteúdo GRADE (SoA)
7a Manutenção deve ser continuada por 24–48 meses 1A (97%)
7b Pacientes com doença renal grave dialítico-dependentes têm alto risco de infecção; doença renal-limitada com dependência de diálise pode não exigir imunoterapia contínua — equilibrar prevenção de recidiva contra riscos da imunossupressão 2C (98%)

Na prática: a duração ótima permanece incerta. A decisão deve ser personalizada conforme fatores de risco de recidiva e de infecção do paciente, além de suas preferências.

EGPA: estratificação e tratamento

A EGPA segue o paradigma de indução e manutenção, com a intensidade do tratamento guiada pela gravidade. A estratificação usa o Five-Factor Score (FFS) revisado de 2011 e a presença ou ausência de manifestações ameaçadoras a vida/órgão (Recomendação 19, GRADE 1C, SoA 99%).

Indução na EGPA

Recomendação Conteúdo GRADE (SoA)
20a Toda EGPA ativa deve ser considerada potencialmente ameaçadora a vida/órgão 1C (99%)
20b Avaliar indução com GC + outros imunomoduladores 1C (99%)
20c Doença ameaçadora a vida/órgão: CYC IV em pulsos como 1ª linha OU RTX se CYC contraindicada/não aceita 1C (98%)
20d Terapias anti-IL-5/IL-5R: recomendadas (se disponíveis) para indução na doença SEM ameaça a vida/órgão 1A (98%)
20e Doença não grave: MTX, MMF ou AZA podem ser considerados quando anti-IL-5/IL-5R indisponível ou como adjuvantes 2C (98%)

O bloqueio da via IL-5 foi testado no MIRRA (mepolizumabe 300 mg a cada 4 semanas vs placebo) e no MANDARA (benralizumabe 30 mg, não inferior ao mepolizumabe 300 mg, ambos a cada 4 semanas). Na doença grave, a CYC é favorecida sobre o RTX pela maior experiência acumulada; o RTX é alternativa quando a CYC é menos desejável (ex.: potencial reprodutivo, grande carga cumulativa de CYC).

Manutenção na EGPA

Recomendação Conteúdo GRADE (SoA)
21a Anti-IL-5/IL-5R recomendados (se disponíveis) para manutenção e para auxiliar o desmame de GC 1A (99%)
21b RTX, MTX, MMF ou AZA como alternativas quando anti-IL-5/IL-5R indisponível, ou como adjuvantes 2C (98%)
21c GC desmamado até a menor dose efetiva possível mantendo a remissão 1A (99%)

Manejo da recidiva

A recidiva é a recorrência de AAV ativa após período de remissão e tem implicações diretas na escolha terapêutica:

  • GPA/MPA em recidiva: o RTX é o agente de indução preferido (Recomendação 2c), evitando o acúmulo de doses de CYC.
  • Doença refratária: revisar o diagnóstico, afastar infecção e, se confirmada refratariedade, trocar para o agente de indução alternativo ainda não usado.
  • Acesso oportuno: os serviços de AAV devem garantir acesso à terapia intravenosa para tratamento inicial ou de recidiva em até 7 dias (Recomendação 22c, GRADE 1C, SoA 98%), e revisão por especialista em vasculite em até 7 dias da referência inicial (Recomendação 22a, GRADE 1B, SoA 97%).

Na prática: na EGPA, as anti-IL-5/IL-5R são recomendadas inclusive para doença não grave recidivante. Na GPA/MPA, a recidiva reforça a preferência pelo rituximabe tanto na indução quanto na manutenção.

Perguntas frequentes

Rituximabe ou ciclofosfamida na indução da GPA/MPA nova?

Pela BSR 2025, ambos são opções equivalentes na doença recém-diagnosticada (Recomendação 2b, GRADE 1A) — a diretriz não prefere um sobre o outro. A preferência por RTX surge especificamente na doença em recidiva (Recomendação 2c).

Existe corte de eGFR que contraindique o rituximabe na doença renal grave?

Não. A BSR não estabelece limiar de eGFR para uso de RTX na doença grave. Análises observacionais não mostram diferença de benefício entre CYC e RTX nesse cenário, e tanto KDIGO quanto EULAR aceitam qualquer um dos agentes.

Quando indicar plasmaférese na AAV?

Considerar em GPA/MPA ativa com acometimento renal grave (creatinina > 300 µmol/L), ponderando o risco de eventos adversos (Recomendação 3a). Não é recomendada de rotina para hemorragia pulmonar sem acometimento renal grave (Recomendação 3c), com base no PEXIVAS.

Qual o papel do avacopan?

É um agente poupador de corticoide na GPA/MPA ativa, com ou sem curso curto de GC (Recomendação 5, GRADE 1A). Reduz a exposição a GC e melhora a recuperação de eGFR. A duração recomendada gira em torno de 12 meses, pois não há dados além de um ano.

Por quanto tempo manter a imunossupressão na GPA/MPA?

A manutenção deve durar 24–48 meses (Recomendação 7a, GRADE 1A), com a duração final ajustada aos fatores de risco de recidiva e de infecção e às preferências do paciente.

Por que a EGPA é tratada de forma diferente?

Pela inflamação tipo 2 (asma, rinossinusite, eosinofilia). As terapias anti-IL-5/IL-5R (mepolizumabe, benralizumabe) são recomendadas na indução e manutenção da doença sem ameaça a vida/órgão; a CYC é favorecida sobre o RTX na doença grave.

Pontos-chave: o que todo médico deve saber

  • Toda AAV ativa (nova ou em recidiva) deve ser tratada como potencialmente ameaçadora a vida/órgão.
  • Na GPA/MPA nova, RTX e CYC são equivalentes; na recidiva, prefira RTX.
  • Combinação CYC + RTX apenas em doença ameaçadora a órgão/vida.
  • Plasmaférese: considerar em creatinina > 300 µmol/L; não rotineira na hemorragia pulmonar isolada.
  • Minimize GC: use desmame rápido (PEXIVAS/LoVAS); pulsos de metilprednisolona IV não são rotina.
  • Avacopan é poupador de corticoide; duração em torno de 12 meses.
  • Manutenção: RTX preferencial (500–1000 mg a cada 4–6 meses), por 24–48 meses; AZA/MTX como alternativas; MMF apenas se intolerância/contraindicação.
  • EGPA: estratificar por FFS e gravidade; anti-IL-5/IL-5R na doença não grave; CYC na doença grave.

CM Xperts — preparação para o TECM

Conteúdo produzido pela equipe CM Xperts. Se você se prepara para o Título de Especialista em Clínica Médica, baixe gratuitamente o Mapa da Aprovação ou conheça o Estudo Dirigido TECM.


Aviso: este conteúdo tem finalidade educacional e de apoio à preparação para provas de título. Não substitui o julgamento clínico individualizado nem as bulas e protocolos institucionais. Doses, esquemas e indicações devem ser sempre confirmados na fonte original antes de qualquer decisão terapêutica.

Referência: Biddle K, Jade J, Wilson-Morkeh H, et al. The 2025 British Society for Rheumatology management recommendations for ANCA-associated vasculitis. Rheumatology (Oxford). 2025;64(7):4470–4494. doi:10.1093/rheumatology/keaf240.